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Resenha de Livro: ” Nu, de Botas” – Antonio Prata

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Autor: Antonio Prata
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 140

nota5

Em seu mais recente livro, “Nu, de botas”, Antonio Prata nos brinda com algumas memórias de sua infância. Recheado de humor, a obra foi lançada em 2013 pela editora Companhia das Letras e já se encontra em sua 2º reimpressão. Colunista do jornal Folha de São Paulo, Antonio é um dos grandes nomes da crônica brasileira contemporânea.

A forma como o autor trabalha o olhar de uma criança sobre o mundo dos adultos é fascinante. Ao invés de narrar suas memórias de forma saudosista, Prata se coloca no texto com a postura curiosa e impulsiva dos primeiros anos da infância, aquela fase da vida em que ficamos perplexos com a alteridade e exageramos as consequências de tudo. É justamente a perspectiva do pequeno Antonio que torna a leitura destas crônicas tão fascinante – depois de algumas páginas, é impossível não embarcar no trem da memória e recordar nossos próprios dias de criança.

“Quantas manhãs não fiquei ali deitado, grunhindo, fazendo cara de farrapo humano, para acabar ouvindo as cinco palavras mais frustrantes da infância: “Trinta e seis e meio’” (p. 35).

“Nu, de botas” é livro delicioso, de leitura rápida e divertidíssima. Em apenas um dia devorei as aventuras de Antonio, seus medos, culpas, seu pavor de outras crianças, as brincadeiras na pré-escola e suas percepções exageradas e hilariantes sobre o mundo e as pessoas ao redor. Me peguei gargalhando em diversos momentos, como quando Toninho se questiona sobre a função de uma etiqueta na cueca (ué, a cueca não serve justamente para evitar o atrito da etiqueta da calça com o bumbum?) e sai desconfiado da inteligência de seus parentes diante das inúmeras respostas que recebe. Outras histórias, como o relato de sua primeira paixão, nos levam a doces momentos de reflexão e nostalgia.

Se você nasceu ali pela década de 80 como eu, irá se divertir com as referências ao Programa do Bozo, às tardes no sofá assistindo o Spectroman derrotar monstros surreais, o alvoroço que os caríssimos brinquedos importados provocavam em todas as crianças de uma rua, a descoberta do sexo através de revistinhas de “sacanagem” descoladas em conluio com o jornaleiro e a novidade que vídeo cassete representou para toda uma geração. Por todos esses gostosos momentos que ficaram para trás, considero “Nu, de botas” uma leitura mais que imperdível!

Jaqueline Sant'ana
Tem 30 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestra em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa uma madrugada regada a karaokê e litrões bem gelados.

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