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Resenha de Livro: “Um Novo Amanhã” – Nora Roberts

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Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Páginas: 320

Um Novo Amanhã” é o primeiro volume da trilogia “A Pousada”, de Nora Roberts. Nessa série acompanhamos os irmãos Beckett, Ryder e Owen Montgomery enquanto eles restauram e dão um novo visual para a antiga pousada da cidade de Boonsboro, um marco local que abrigou muitas histórias e até mesmo assombrações.
Focado em Beckett, o arquiteto da família, este livro é o pontapé inicial de mais uma série de Nora que investe na mistura de romance e um quê sobrenatural, ainda que essa subtrama “do além” seja bastante mal aproveitada. Eu demorei muuuuuuuito para terminar essa leitura, inclusive largando o livro por MESES ainda nos primeiros capítulos. “Um Novo Amanhã” é uma daquelas histórias felizes e meigas, cercada por uma aura cor-de-rosa positiva que não estava me agradando no momento em que recebi o livro. Tempos depois, dei uma nova chance e finalmente a história começou a fazer sentido para mim, ainda que não me agradasse totalmente. Eu sentia falta de algo, mas não sabia exatamente do quê. Tive bastante dificuldade para mergulhar nesse lado tão “perfeitinho” e fantasioso da história, e de modo geral achei a trama muito linear, sem reviravoltas ou conflitos interessantes. Os grandes dramas do livro giram em torno do passado de Clare Brewster, que se casou muito jovem com um militar e ficou viúva quando estava grávida do terceiro filho. Porém, quando retorna para a pequenina Boonsboro Clare já se encontra firme, cuidando dos adoráveis filhos e tocando os negócios da livraria Virando a Página com muita garra e carisma – sim, ela é uma daquelas protagonistas que nos fazem torcer pelo seu sucesso. Toda tensão do livro se resume a um dos dois tomar coragem de declarar suas emoções, já que Beckett é apaixonado por Clare desde os tempos do colégio e ela reconhece a atração existente entre eles. Cansada de se sentir sozinha e cercada por amigas que a apoiam na decisão de se abrir novamente para o amor, como a carismática Avery, falta apenas aquele empurrãozinho para o happy ending do casal, coisa que se resolve de forma completamente simples.

Dou três estrelas para esse primeiro volume porque gostei bastante da apresentação do clima de cidade do interior e dos personagens, tanto os protagonistas quanto os secundários. A forma açucarada e linear como a história foi apresentada, contudo, me deixou frustrada. Trata-se de um romance leve, feita para passar o tempo e tranqüilizar os corações mais sonhadores, mas acredito que Nora pecou com o nível de detalhismo em cenas sem grande relevância e descrições exageradamente longas – em certos momentos tive a impressão de estar assistindo a “Irmãos à Obra” durante 300 páginas, rs.
Vale ressaltar como essa é uma trama familiar, focando bastante nos laços de amor entre irmãos, filhos e até mesmo amigos. Beckett, por exemplo, logo desenvolve uma relação cheia de afeto pelos filhos de Clare, mostrando um lado doce e protetor e nos proporcionando ternos momentos entre bonecos action figure dos Power Rangers.
Apesar de toda a atenção dada para uma fantasminha que mexe com o sensorial das pessoas e deixa um cheiro de madressilvas no ar e um vilãozinho mequetrefe que não movimentam a trama, o grande destaque nesse começo da trilogia é a família Montgomery, que segue o modelo daqueles poucos que batalham e conseguem tudo na vida: com uma mãe levemente maluquinha, mas adorável, os irmãos são lindos, unidos, cheios de habilidades e tino para os negócios. Para quem gosta de suspirar com um conto de fadas moderno, “Um Novo Amanhã” vale a pena.

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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