Você está aqui
Home > Livros > Resenha de Livro: “Toda Sua” – Sylvia Day

Resenha de Livro: “Toda Sua” – Sylvia Day

Todos os textos produzidos pelo Up! Brasil não podem ser reproduzidos – total ou parcialmente – sem autorização. Cópias não autorizadas e plágios são crimes previstos no Código Penal.

Autora: Sylvia Day
Editora: Paralela
Páginas: 280


nota4

“Toda Sua”, livro de Sylvia Day, é o primeiro volume da série “Crossfire”, que está sendo publicada no Brasil pela editora Paralela.

Eva Tramell é uma jovem mulher de 24 anos prestes a começar a sua vida profissional em uma firma de publicidade localizada no imponente edifício Crossfire. Em uma visita ao seu novo local de trabalho, nossa mocinha recém-chegada à Nova York esbarra em dos homens mais lindos e sensuais que ela já viu: Gideon Cross, o multimilionário (tinha que ser!) dono do imóvel. Temendo não conseguir controlar seus hormônios ao esbarrar com tamanha beleza durante o expediente, ela decide resistir a qualquer aproximação com Gideon, mas durante a negociação de uma campanha publicitária para uma marca de vodka ele deixa bem claro que deseja tê-la em sua cama o mais rápido possível.
Gideon é mais um daqueles homens perfeitos da nova safra de histórias eróticas sendo publicadas por aqui: lindo, rico, misterioso e acostumado a ter tudo o que quer, ele exala poder e confiança, formando um coquetel que deixa qualquer mulher de pernas bambas com sua mera presença. A maneira direta que ele usou para expressar seu desejo por Eva me revoltou por um tempinho, mas logo compreendi que aquilo é parte de sua personalidade, algo que parece dizer “goste ou não goste, eu não vou tentar te agradar”. Eva, é claro, acaba cedendo, e o que acontece em seguida é devastador, explosivo.

O grande ponto positivo deste livro é a atitude completamente ousada e safada da protagonista. Ela toma a iniciativa, seduz, controla, faz e acontece na cama (e também no carro, no banheiro, na cozinha, no escritório). A linguagem é direta e extremamente vulgar em certos momentos, e isso funciona muito bem no contexto do livro e no que ele se propõe a mostrar. Pelo o que pude perceber, a editora Paralela não atenuou a escrita lasciva de Sylvia Day, e isso merece nota.

“Toda Sua” é um livro excitante, ainda que não apresente nada no cardápio erótico do casal que já não houvesse sido escrito por aí. Eva Tramell é sopro de ar fresco em comparação às mocinhas sem sal que aceitam realizar qualquer vontade de seus companheiros sem pestanejar, e ela e seu melhor amigo Cary funcionam em uma dinâmica muito interessante de se acompanhar. Sem dúvida alguma, ele é o melhor personagem do livro, mostrando fraquezas e qualidades admiráveis na dose certa a todo o momento. O fato de ele dividir o apartamento com Eva ajuda a compor melhor uma rotina que vai além do “mundinho” de sexo desenfreado e problemas familiares da nossa mocinha, tornando-a mais crível e humana.

Eu gostei muito de “Toda Sua”, mas já aviso que o livro perde muito da sua identidade e encanto ao chegar à página 196. Nesse momento, o livro deixa de ser uma envolvente trama erótica para se tornar um pé no saco a partir de uma cena onde um trauma do passado de Gideon começa a se manifestar. Este mistério, que não é revelado neste livro, deixa o leitor bastante curioso em um primeiro momento, mas depois deixa de ser interessante porque passa a comprometer toda a imagem que você havia construído do personagem. Gideon, antes seguro, reservado e autossuficiente, se torna um homem fraco, dependente de atenção e completamente desnorteado sem a presença e o apoio de Eva. Daí em diante, o livro de Sylvia Day torna-se idêntico a qualquer outro romance “da moda”, com revelações familiares dolorosas, um mocinho psicologicamente ferrado das ideias que aparentemente é dono de todos os lugares que o casal frequenta e uma protagonista que acredita poder ajudá-lo a lidar com suas dores.

O pequeno resumo acima revela um pouco do maior defeito do livro: na intenção de “se adequar” à cartilha dos best sellers eróticos do momento, a autora pegou uma trama que poderia entreter e seduzir do seu próprio modo e tornou-a genérica. A partir desse momento, eu tive que perseverar para continuar a leitura, pois tudo se tornou maçante e repetitivo para mim. Os ciclos de “crise, discussão e pazes” de Eva e Gideon são alimentados pela chegada de novos personagens na história, e acredito que eles terão grande influência dos próximos volumes da trilogia. Não preciso nem dizer como acho desnecessária a existência de mais dois livros para resolver esta trama, mas no saldo geral ainda afirmo que gostei de “Toda Sua” e do que ele trouxe consigo.

Jaqueline Sant'ana
Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

Deixe uma resposta

Top