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Resenha de Livro: “Terras Metálicas” – Renato C. Nonato

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Autor: Renato C. Nonato
Editora: Novo Século
Páginas: 616


nota4

Terras Metálicas é o primeiro livro de Renato C. Nonato, mais um autor nacional que faz parte do projeto Estante Brasileira do site Up! Brasil. Publicado pela editora Novo Século, este livro chama a atenção já pela sua capa: eu bati o olho no livro e já fiquei com vontade de ler sua sinopse e descobrir mais sobre o sua história.

Trata-se de um livro distópico, cuja história se passa no subterrâneo da Terra, um local hermeticamente fechado chamado Esfera. Isso acontece porque, após a Última Guerra que aconteceu algumas centenas de anos atrás, o planeta Terra foi assolado pela radiação nuclear.

O início do livro apresenta a dinâmica da vida na Esfera e o dia-a-dia dos adolescentes da Academia antes da cerimônia de implante, o momento da vida de cada indivíduo onde ele recebe um chip que anuncia sua habilidade especial: Sibério (controle da temperatura), Túnel (telecinese), Antena (leitura e manipulação da mente) ou Bio (controle e transformação do próprio corpo). Há também a possibilidade de ser um Exilado, uma pessoa que não possui uma habilidade específica.

Governada pela Elite, toda a população da Esfera pertence a um desses grupos e esta sacada é muito bacana, uma vez que abre espaço para interações bastante interessantes entre as pessoas. Há o temor ser um Exilado, as rivalidades entre grupos r aquele eterno debate sobre qual seria a melhor habilidade.

Após esta cerimônia, os jovens passam a estudar matérias específicas da sua habilidade, moldando-os para um emprego em uma área regulada por determinado “talento”. É aí que a história começa a pegar fogo, pois a protagonista da história, Raquel, descobre que o futuro da Esfera encontra-se ameaçado e que há pessoas no comando da população mentindo sobre isso. Ao lado de seus amigos inseparáveis (Tales, Ângelo e Camila), nossa impetuosa e despojada mocinha irá tentar salvar seu lar encarando surpreendentes inimigos e decifrando muitos mistérios.

São tantas as coisas inéditas neste livro que acabamos perdendo um pouco da noção do tempo enquanto estamos lendo. Renato Nonato provou-se um escritor talentoso e muito criativo. Eu pessoalmente adorei os tashis, que na minha cabeça funcionavam como uma espécie de Tamagoshis multifuncionais. Cada um destes mascotes pessoais metálicos tem uma personalidade própria, o que lhes confere muito caráter. Eles me fizeram gargalhar em diversas passagens do livro! Há muitos momentos de aventura em Terras Metálicas, mas os laços de amizade e companheirismo divididos pelos personagens da história também têm grande importância no livro.

Um ponto negativo do livro é a sua grande quantidade de páginas: mais de 600. Apesar do livro ter um vocabulário simples e uma narrativa bastante fluida, senti que várias passagens do livro poderiam ser eliminadas sem grande prejuízo para a história. São muitas as cenas entre Raquel e seus amigos, e ao mesmo tempo em que podemos conhecer mais profundamente a personalidade de cada um dos personagens nesses momentos, acabamos ficando presos a fatos “sem muita relevância”. Muitas páginas são gastas para concluir acontecimentos bastante simples, que apenas servem de elo entre uma descoberta e outra. Eu notei isso lá pela página 200, onde uma excursão da Academia (a escola da Esfera) até a Sede estava acontecendo, mas a dinâmica do grupo de amigos de Raquel tomava a frente da ação.

A revisão de Terras Metálicas é muito boa, apesar de um ou outro errinho bobo – o contrário do que vi acontecendo em muitos títulos da editora Novo Século, que costuma pecar bastante nesse sentido. O projeto gráfico simples e eficiente também contribui para uma percepção mais clara da obra. Vale a pena ser este livro surpreendente e envolvente, que agradará em cheio os fãs de ficção científica e distopia.

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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