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Resenha de Livro: “Tá Todo Mundo Mal” – Jout Jout

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Autora: Jout Jout (Julia Tolezano)
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 196


Em tempos de crise econômica, política, existencial e afetiva, nada melhor do que compartilhar seus surtos com quem entende do assunto. A youtuber Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, acumula fãs entusiasmados pelas redes sociais afora, um grupo que se reúne sob o nome “Família Jout Jout” e compartilha medos, dúvidas e aprendizados em comentários afetuosos. Aqui, nessa despretensiosa coletânea de crônicas, as crises são múltiplas e dão o recado: tá todo mundo mal diante de tantas possibilidades.

Esse livro foi publicado pela editora Companhia das Letras em meio ao boom editorial de obras assinadas por adolescentes que fazem sucesso com vídeos no Youtube. Porém, nesse livro Jout Jout vai além dos seus pares, saindo mero relato biográfico de quem ainda não acumula grandes feitos na vida e comentando alguns dilemas relevantes da vida de um jovem adulto, tais como a dificuldade de escolher uma carreira, as dúvidas sobre morar sozinho, o medo da violência urbana e sexual e o peso das responsabilidades da vida adulta que alimentam um poço de ansiedade e parecem paralisar a vida de milhares de millenials pelo mundo.

Claro que essa não é uma narrativa que atrai o grande público em geral – enquanto muita gente se desespera com os boletos que se acumulam ao final de todo mês, parece um tanto estúpido ler sobre alguém que desiste de um trabalho bacana porque ele não traz muitas aventuras. Mas, hey, tudo bem se você não está feliz com esse caminho e decide buscar outra coisa! A mensagem de Jout Jout é positiva e compreensiva, tal qual uma amiga que está disposta a nos ouvir independente do tamanho do problema, pequeno ou grande. Não é à toa que ela faz tanto sucesso entre jovens que buscam a desconstrução de preconceitos e pregam uma maior aceitação das pessoas do jeitinho que elas são.

Comprei esse livro assim que ele foi lançado, mas somente agora tirei uma tarde para lê-lo. E foi assim, de forma leve e sem expectativas, que me peguei rindo e comentando sozinha “puxa, achava que só eu passava por isso”. A forma pouco glamourizada e sincera com que Jout Jout expõe seus temores e inseguranças acaba por minimizar e revelar o ridículo de cada crise que, secretamente, todo mundo tem e enxerga como um dragão cuspindo fogo. Vale como terapia alternativa, vale como passatempo.

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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