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Resenha de Livro: “Proibido” – Tabitha Suzuma

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Autora: Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Páginas: 304

nota5

 

“Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver,
mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir.”

Faz mais de um mês que li esse livro, e até hoje não sei como escrever sobre ele. Não há palavras para descrever a história e o que ela te faz sentir, só de começar a escrever meus olhos estão cheios de lágrimas. Sabe aquele livro capaz de marcar sua vida? É esse. Talvez essa resenha saia um pouco diferente das outras, pois quero falar do que eu senti lendo ele.

Cheguei a ele por indicações, por ver comentários em grupos de diversos tipos como: “Não consegui ler esse livro, muito forte.”, “Nunca vou superar essa história.”, “Como parar de chorar?”, “Esse livro é perturbador”, entre outras coisas. E eu pensei: “Impossível um livro ser assim, o que tem de tão forte para não conseguir mais ler ou para ficar tão emocionado assim…”. Então lá fui eu ler e o resultado foi: muitas lágrimas e um choque, sinceramente, fiquei encarando o teto do meu quarto até as 3h da manhã apenas pensando nessa história. Acredito que tenha sido um dos melhores livros que já li na minha vida, mas não é um livro que eu vou re-ler, e também não é um livro que eu consiga indicar para as pessoas, mesmo acreditando que seja um livro que todo mundo tenha que ler ao menos uma vez na sua vida. Antes que eu fale mais sobre ele, deixarei a Sinopse para vocês saberem do que se trata:

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. Eles são irmão e irmã. Mas será que o mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia? Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do cotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

 

Caso não tenha ficado claro com a Sinopse, o livro aborda o tema Incesto. Aborda uma paixão de irmãos (sim, do mesmo pai e da mesma mãe, criados e crescidos juntos a todo momento). Parece bobagem mas eu NUNCA pensei que irmãos pudessem se apaixonar, é algo que eu não consigo aceitar, não consigo entender (e olha que sou uma pessoa com a mente aberta), mas foi com esse livro que eu me deparei com um “pré-conceito” e um “julgamento” logo de cara: “Eles são irmãos, isso é um absurdo, isso não existe, que coisa ridícula, nojenta, é impossível e inaceitável”. Mas o livro te prende na primeira página e mesmo com todo esse sentimento, não tem como deixar de ler. Talvez eu quisesse apenas uma explicação para isso, mas o fato é que continuei a ler e comecei a ver o mundo cruel em que eles viviam, algo tão injusto e ao mesmo tempo tão real. Algo que poderia acontecer até mesmo comigo, com qualquer um, quantos lares desestruturados não conhecemos? Quantos abandonos não ouvimos falar, vemos ou até mesmo passamos? E em meio a uma vida difícil e injusta, vemos um amor de família tão lindo! Não tem como não se emocionar por tudo que eles fazem para os irmãos, de como eles deixaram a vida deles de lado para manter a família unida e ter toda a responsabilidade que adolescentes de 16 e 17 anos não costumam ter. E nesse momento temos nosso coração partido, ao ler algo tão real e que chega a ser cruel ao mesmo tempo em que é tão lindo. Por um momento, confesso que esqueci que eles eram irmãos, e conforme eles iam descobrindo a sua paixão, eu também ia me envolvendo e desejando que eles ficassem juntos, que eles criassem a família deles, que eles eram os PAIS e não os irmãos. Então acontecia algo que me lembrava que eles eram irmãos e ficava brava comigo mesma por achar certo algo que era tão errado, e eu comecei a ficar brava com a sociedade, com as leis, com as religiões, ERA ALGO TÃO CERTO como pode ser errado? Eu julgava isso errado? Sim, isso é errado. E minha cabeça era apenas uma confusão e uma desconstrução social tão difícil.

Após páginas e páginas de conflito interno, o final foi perturbador, não quero dar spoiler, mas é algo que por mais que sempre soubemos que seria a “única saída” não deixa de ser chocante. Li o último capítulo 3 vezes para ter certeza do que tinha acontecido. O livro foi bem escrito e a ligação do leitor com os protagonistas é certa, e é feita de uma forma que você sente na pele, que você se vê nessa situação – o que faz quase impossível se manter com os conceitos impostos pela sociedade, pela religião, pela lei. Nossos sentimentos nos traem e é impossível não se emocionar. Mas o que eu mais gostei é como a autora me fez refletir, como eu percebi que somos egoístas definindo como alguém deve viver, quem deve amar, qual a “fórmula” para ser feliz, e que realmente são essas definições que podem destruir alguém, que pode fazer algo tão errado, parecer tão certo.

“No fim das contas, é o quanto você pode suportar, o
quanto pode resistir. Juntos, não fazemos mal a ninguém;
separados, nós definhamos.”

Enfim, esse livro foi marcante para mim. Nunca vou me esquecer dele, até hoje me pego refletindo e pensando em coisas dele, e, como eu disse, não é um livro que eu indico a ninguém, mas é um livro que todos deveriam ler, mas tenha a certeza de que você precisa ter a mente aberta, se desprender um pouco das “regras” da sociedade e ler com o coração aberto.

“Eu me recuso a permitir que um rótulo do mundo exterior
estrague o dia mais feliz da minha vida. O dia em que beijei
o homem que sempre abracei em meus sonhos, mas nunca
me permiti ver. O dia em que finalmente parei de mentir para
mim mesma, parei de fingir que era apenas um tipo de amor
que sentia por ele, quando na verdade eram todos os tipos
possíveis e imagináveis de amor. O dia em que finalmente
nos libertamos das nossas amarras e demos vazão aos
sentimentos que havíamos negado por tanto tempo, apenas
porque por acaso somos irmão e irmã.”

One thought on “Resenha de Livro: “Proibido” – Tabitha Suzuma

  1. Acho que fui a única que achou a leitura tediosa e forçada demais! Antes de comprar o livro, li inúmeras resenhas para ver se de fato tomava coragem e partia para a leitura…Comprei e li o livro em apenas 02 dias, afinal, esperava que o contexto tivesse reviravoltas e não fosse nada do que estava lendo de cara…mas com mais de 150 leituras feitas, eu afirmo com toda certeza que Proibido não me tocou em absolutamente nada…apenas pelo fato de achar que Maya foi em grande partes responsável por tudo que aconteceu.

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