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Resenha de Livro: “Peça-me o que Quiser” – Megan Maxwell

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Autora: Megan Maxwell
Editora: Suma de Letras
Páginas: 398

nota2
“Peça-me o que Quiser”, romance de Megan Maxwell lançando no Brasil pela editora Suma de Letras, é o primeiro volume de uma trilogia erótica originalmente publicada na Espanha. Judith Flores, a protagonista e narradora do livro, é uma mulher de 25 anos que trabalha como secretária no escritório de uma empresa farmacêutica alemã. Lidando com uma chefe rabugenta, Jud alivia o stress do trabalho com uma vida social movimentada. Fã de futebol e música, ela tem um bichinho de estimação, uma família normal (pai, irmã, sobrinha), amigos divertidos e alguns peguetes. Sexualmente liberada, ela gosta de transar quando quer e com quem lhe apetece.

Porém (sempre tem um “porém”), Jud não estava preparada para Eric Zimmerman, o gatíssimo herdeiro da empresa onde trabalha. Após despertar o interesse do belo e austero “Iceman” em um acidente no elevador, ela acaba cedendo ao charme de Eric, mas logo se surpreende com as preferências sexuais do charmoso alemão. Curiosa, ela inicialmente reluta, mas logo muda de ideia e mergulha fundo em um mundo de novas e excitantes emoções. Confesso que vibrei com algumas das reações de Judith: diante de um cenário muito inusitado ou chocante, ela simplesmente se negava a participar dos joguinhos de Eric e ia embora. Porém, nem tudo são flores nessa história: ainda que Judith mostrasse certa força de caráter, a narração do livro na primeira pessoa derrapa em diversos momentos devido ao entusiasmo da personagem, que muitas vezes se parece mais com uma adolescente impressionada do que com uma mulher que acabou de fazer um ménage a trois. Nesse sentido, as superficiais aparições de personagens mais centrados, como o pai de Judith e a mãe de Eric, dão um gás à história, nos aliviando um pouco da obsessão apaixonada e cheia de tesão do casal protagonista.

Falando de modo geral, tenho a impressão de que a fantasia erótica moderna envolve um mínimo de três orgasmos por transa e inúmeras juras de amor eterno após dias e dias de sexo maravilhoso – tudo isso embalado, é claro, com hospedagens em suítes presidenciais, carros luxuosos, jantares em restaurantes finos e champagne para todo lado. Após tantos livros eróticos protagonizados por mocinhas insossas e virgens, eu achei a Judith do início do livro simplesmente sensacional. Porém, conforme sua paixão por Eric aflorava e os novos clichês do gênero surgiam na história, meu respeito por ela diminuiu de tal forma que terminar a leitura de “Peça-me o que Quiser” se tornou uma questão de persistência. As mudanças bruscas de humor do “Iceman” (até quando teremos que aguentar mocinhos bipolares, gente?) causam inúmeras brigas entre os dois, com direito a tapa na cara e muitas portas batendo, mas Judith arrumava um jeito de dar razão ao companheiro, aceitando-o de volta de braços abertos. Vocês não imaginam como foi insuportável vê-la dizendo que adorava ser “o brinquedinho” de Eric e que gostaria de realizar todas as suas vontades como se esse fosse seu único propósito no mundo. E era um tal de sentir calor, calor, calor a cada transa…simplesmente chato. A parte “romântica” do livro não me convenceu e, em certo momento, eu pude jurar que o melhor personagem da história era o gato moribundo da protagonista, o fofíssimo Trampo.

Em comparação com outros livros do gênero, “Peça-me o que Quiser” ganha disparado na categoria variedade sexual, uma vez que seu leque de modalidades é muito amplo: voyeurismo, sex toys, troca de casais, exibicionismo, sexo entre duas mulheres, entre dois homens e uma mulher, entre duas mulheres e um homem, etc, etc. É um livro quente, sem dúvida. Certas passagens do livro são realmente excitantes, ainda que possam chocar muitos leitores com sua abordagem diferenciada do sexo – o “compartilhar” a pessoa com que você mantém um relacionamento em nome do prazer certamente incomodará algumas pessoas mais conservadoras, de mente mais fechada, assim como as passagens sensuais com duas (ou mais) mulheres. Vale a pena ler para tirar sua própria conclusão, mas já sabendo das falhas na construção dos personagens e no desenvolvimento da história.

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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