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Resenha de Livro: “O primeiro dia do resto da nossa vida” – Kate Eberlen

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Autora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro
Páginas: 429

O primeiro dia do resto da nossa vida traz a história de Tess e Gus. Os dois se encontram uma vez no final da adolescência e pela próxima década e meia têm suas vidas de alguma forma entrelaçadas sem nunca realmente voltarem a se encontrar. Quando li a sinopse pensei que este seria mais um daqueles livros com os “e se” permanentes, onde os personagens sempre estariam vivendo apenas pela metade, voltando uma e outra vez ao passado para o encontro da adolescência. Eu estava enganada. Não é isso o que acontece aqui.

Essa é uma história sobre duas pessoas de mundos diferentes, com pouca sorte no amor e um histórico familiar preocupante e trágico, que apesar de todas as guinadas do destino não conseguem se encontrar. Suas mais de quatrocentas páginas trazem mais do que uma história de amor, traz a caminhada da vida dos personagens – uma caminhada longe de ser fácil e tranquila, mas que vale cada página lida.

Kate Eberlen construiu personagens intensos, com problemas reais e belas lições de vida. Além de Tess e Gus, Hope, Doll, Charlotte, Bella, Flora… todos eles crescem ao longo das páginas, mudam, amadurecem, vivem a vida como deve ser vivida. E fazem o leitor acompanhar a montanha-russa de emoções que suas ações desencadeiam.

Entre Tess e Gus, Gus é o personagem que mais me preocupou ao longo dos dezesseis anos de narrativa. Suas escolhas, entre erros e acertos, me deixaram incerta sobre o seu final – e se, depois de tudo o que ele passou, ele não fosse mais aquele homem do começo? Aquele que, através de Tess, também me encantou? Acho que ele é o que mais mudou e mais me surpreendeu. Mas surpresas também são boas, então a vida segue.

A minha relação com a Tess foi completamente diferente da com Gus. Eu esperava que ela amadurecesse da forma que a autora criou. Sua personalidade nunca mudou ao longo dos anos (capítulos) e a sucessão de acontecimentos em sua vida a preparou para as reviravoltas que sempre estão à espreita. Ela é uma personagem forte, que soube lidar com os desafios que foram jogados em seu caminho uma e outra vez.

É claro, nem ela nem Gus estiveram sozinhos em suas vidas, e é justamente por isso que Doll e Charlotte foram importantes. Doll sempre esteve lá para Tess e, mesmo com um ou outro momento menos feliz, fez toda a diferença. O mesmo vale para Charlotte – mesmo que seu personagem não tenha me deixado muito feliz desde o começo.

Eberlen entrelaçou os acontecimentos de forma magistral. Misturou sorrisos e lágrimas e proporcionou uma das melhores leituras do ano. Sua forma de narrar mostrando o ano dos acontecimentos passa a impressão de que o leitor está assistindo um filme sobre a vida de pessoas que conheceu a vida inteira. Envolvente, emocionante e contagiante – não poderia pedir mais nada em uma história.

Em O Primeiro Dia do resto da nossa Vida, o leitor aprende que a última página não é o fim, é apenas um novo começo – mesmo que ele não possa acompanhar esse novo começo – e a sensação que fica quando essa realidade é percebida aquece o coração da melhor maneira possível.

“Se você fizer algo com o coração feliz, isso lhe trará felicidade.” (p. 69)

Vitória Doretto
Vitória - mais conhecida como Vicky. Sou viciada em instagram e estou ali, me dividindo entre o amor por personagens de livros e as aventuras que encontro nos [agora raros] games da vida. Sou graduanda em Letras e Revisora de Português licenciada pelo MEC, nerd de carteirinha (mesmo tentando ser transuda na maior parte do tempo), apaixonada por doramas e por mais bandas e cantores do que gostaria.

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