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Resenha de Livro: “Mundo Sem Fim” – Ken Follett

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Autor: Ken Follett
Editora: Arqueiro
Páginas: 1136

nota5

Após muita espera, finalmente consegui pôr minhas mãos em Mundo sem Fim, obra de Ken Follett. Quem acompanha meus posts sabe como eu sou fã desse escritor, e foi com muita alegria que eu soube do relançamento deste livro no Brasil – sua primeira edição havia sido publicada no país pela Editora Rocco e se encontrava fora de estoque há muito tempo.

A primeira característica do lançamento da Editora Arqueiro é a divisão da obra em dois volumes, um com 559 e outro com 573 páginas. Além de uma capa belíssima, os livros vêm dentro de um box de papelão que os mantém juntos e protegidos da poeira, o que eu achei simplesmente excelente.

Mundo sem Fim é uma espécie de continuação que se desenrola 200 anos depois da história de Os Pilares da Terra, mas você pode ler um livro sem saber nada do outro sem maiores preocupações. Temos mais uma vez uma história desenvolvida com riqueza de detalhes e uma preciosa ambientação da Europa medieval. Para que ninguém se perca pela história, dois mapas localizados no início do volume 1 orientam o leitor pelas ruas de Kingsbridge. É ali que em 1º de novembro de 1327 quatro crianças se encontram na Catedral em meio à comemoração do Dia de Todos os Santos: as meninas Caris, gentil e doce filha de um dos mais ricos comerciantes locais, e Gwenda, valente filha de um trabalhador rural agressivo que se dedica a pequenos roubos, e os irmãos Ralph e Merthin, filhos de um cavaleiro que perdeu sua fortuna e vive da caridade do Priorado.

A narrativa de Follett consegue ser fascinante, retratando a miséria e a crueldade de um mundo violento, extremamente desigual e assolado por doenças e pestes. A brutalidade com mulheres, crianças, pobres e vulneráveis não deixa de chocar, deixando às claras as engrenagens políticas e revelando uma desprezível associação entre poder e religião que servia para a manutenção do status quo e da injustiça. O cotidiano de Gwenda, vendida pelo seu próprio pai a diversos homens, e a determinação de Caris, que se não deseja se tornar uma freira, mas também não pretende se casar e se tornar propriedade de um homem, nos faz pensar sobre o passado da civilização europeia, até hoje percebida como “avançada” e esclarecida. Pessoas más e aproveitadoras, tão humanas quanto qualquer um de nós, justificavam seus atos segundo “a vontade e os desígnios de Deus”. Famílias se desfazem com doenças e guerras e a preocupação com o conflito entre França e Inglaterra é tão importante quanto os campos sem arado, que comprometem a produção familiar e a prosperidade da região.

A vantagem de ter personagens principais tão diversificados em termos de classes sociais, temperamentos e trajetórias como Gwenda, Caris, Ralph e Merthin ajuda o leitor a montar um panorama daquele momento histórico, com insights sobre a vida religiosa no priorado, a dinâmica da nobreza, os valores dos cavaleiros e a vida dos camponeses em suas aldeias. Assim como nas outras obras do escritor inglês, aqui também temos romance e mistério na dose certa para nos manter grudados nas páginas deste romance imenso, mas completamente fascinante. Vale a pena ler!

Jaqueline Sant'ana
Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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