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Resenha de Livro: “Mulher-Maravilha: Sementes da Guerra” – Leigh Bardugo

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Autora: Leigh Bardugo
Editora: Arqueiro
Páginas: 400

Eu tenho esperado por esse livro há tanto tempo que, quando finalmente consegui o meu exemplar, fiquei sem reação. A Mulher-Maravilha sempre esteve entre as minhas heroínas preferidas e quando comecei a ver as fotos e posts sobre Sementes da Guerra fiquei muito ansiosa para saber o que a mente genial de Leigh Bardugo havia preparado.

Tinha altas expectativas para a narrativa de Bardugo — drama, mitologia grega, ação, talvez morte e um pouco de romance (o que realmente teve) –, mas fiquei surpresa por termos muito mais do que isso na trama! A primeira surpresa foi Alia, a personagem grega-afroamericana que nos ensina que o poder da amizade feminina é imenso e não pode ser impedido por nada no mundo (de uma forma geral, amizade é um tema muito importante nessa história). A segunda surpresa foi a força dos personagens e suas relações, tudo suportado de forma maravilhosa pelos diálogos criados pela autora. É através dos diálogos que percebemos as dinâmicas (de aquecer o coração, divertidas e emocionantes) entre os personalidades. Pessoalmente não esperava me divertir tanto durante a leitura e nem sentir tanta emoção através das linhas. Foram gratas surpresas, se devo chamar de alguma coisa.

Bem, para poder falar mais sobre os personagens e minhas impressões sobre eles preciso refrescar sua memória para a história deste livro. Aqui temos Alia à bordo de um navio perto da ilha onde Diana e as amazonas vivem quando uma bomba detona. Diana salva Alia do navio, mas logo descobre que isso pode levar ao desastre tanto do mundo humano, quanto do mundo das amazonas, e isso porque a guerra e a morte seguem Alia onde quer que ela vá. Assim, temos o ponto principal da trama: Diana quer salvar o mundo e mudar o destino de Alia. Para isso, elas procurarão uma forma de salvar a todos — o que envolve uma certa Helena de Troia — e sairão de Themyscira para Nova Iorque e para o sul da Grécia, tendo a ajuda do irmão de Alia e seus amigos, Nim e Theo, ao longo do caminho.

Agora, com a sua memória refrescada, posso voltar às minhas considerações sobre a história.

O que achei realmente refrescante na trama foi ver a multiplicidade de personagens de diversos lugares do mundo:  quase todos os personagens principais não são brancos ou europeus. Temos Diana, obviamente, mas temos também Alia e seu irmão, que são gregos-afroamericanos, temos o brasileiro Theo e o indiano Nim (um personagem simplesmente maravilhoso, aliás). E é com detalhes assim que a autora consegue fazer a história ser de todos os personagens, não apenas de Diana (que, não há dúvida nenhuma, é uma personagem maravilhosa e obviamente mais do que necessária). Cada personagem é importante de sua própria forma, cada personagem é inesquecível por seu próprio mérito.

Mas deixe-me falar um pouco mais de Alia, a Semente da Guerra. Ela é praticamente um ímã para o conflito e derramamento de sangue, mas é também uma personagem tão bem desenvolvida, praticamente um raio de sol que é impossível não gostar. Ela tem a decisão consciente de não se esconder mais, de acolher quem ela é e seu potencial de forma integral depois de todo o tempo ter que se dividir em pedaços para manter os outros inteiros. Foi simplesmente tão inspirador e emocionante acompanhar essa mulher que tudo o que eu queria era não acabar a leitura nunca!

Um ponto importante que faz este livro se destacar dentro todos os outros deste ano é sua ênfase no valor da amizade entre mulheres. É raro encontrarmos uma trama que realmente preza a amizade feminina pelo o que ela é, sem ser superficial ou ciumenta ou malvada ou egoísta e, principalmente, sem ser usada como uma forma da protagonista conversar [uma e outra vez] sobre seu interesse amoroso. Aqui a amizade é essencial, sem estar presa a um amor romântico. Trata-se de um amor incondicional, um amor entre amigos — a atenção geralmente voltada ao romance foi voltada à forma como as amizades são uma maneira mais libertadora e capacitadora de amar. Diana, Alia e Nim compartilham de uma amizade tão forte, saudável e mutuamente gratificante que somos tomados por uma carga de emoção esmagadora durante a leitura, e é mais do que gratificante ver esse tipo de relação. É uma amizade feroz e eles acreditam agressivamente um no outro, se defendem e acreditam que o outro merece o mundo.

E, é claro, não posso terminar esta resenha sem falar do plot twist. Temos um plot twist perfeitamente engendrado por Leigh Bardugo, e se você já leu algum de seus livros sabe do que estou falando… Foi simplesmente… sem palavras. Foi no momento ideal e simplesmente encaixou em todo desenvolvimento desenrolado na trama. Ainda assim, sem palavras — e sem spoilers.

O final do livro foi simplesmente especial porque vemos que todas as experiências que acompanhamos os personagens passarem serviram para ajudar a transformá-los em novas pessoas, melhoradas pessoas — o que significa um desenvolvimento de personagens efetuado de forma magistral. Há ainda a sugestão de que poderia haver outra história para a Mulher-Maravilha no futuro e eu só posso ficar aguardando e tendo esperança de que realmente haja mais de Diana por vir, porque nossa heroína tem muito mais a ensinar e viver.

Vitória Doretto

Vitória – mais conhecida como Vicky. Sou viciada em instagram e estou ali, me dividindo entre o amor por personagens de livros e as aventuras que encontro nos [agora raros] games da vida. Sou graduanda em Letras e Revisora de Português licenciada pelo MEC, nerd de carteirinha (mesmo tentando ser transuda na maior parte do tempo), apaixonada por doramas e por mais bandas e cantores do que gostaria.

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