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Resenha de Livro: “@mor” – Daniel Glattauer

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Autor: Daniel Glattauer
Editora: Suma de Letras
Páginas: 188

nota4

Em tempos de redes sociais, trocar e-mails com alguém parece algo ultrapassado, não é? Mas o que dizer sobre a possibilidade de conhecer alguém que pode mudar sua vida e mexer profundamente com suas emoções a partir dessa ferramenta? @mor, livro de Daniel Glattauer, foi o lançamento do mês de maio/2013 da editora Suma de Letras e nos conta a história amizade e posterior romance entre Leo e Emmi, dois adultos muito diferentes entre si, mas que têm suas vidas transformadas a partir de um e-mail enviado para o destinatário errado.

Primeiramente, vale a pena ressaltar a estrutura do romance, construído totalmente a partir de e-mails trocados entre o casal protagonista. Eu já havia visto algo semelhante no livro O Garoto da Casa ao Lado de Meg Cabot, mas as sensações que vivi com este livro foram totalmente diversas. Se a obra da escritora norte-americana prima pelo humor ligeiro, este livro nos envolve de modo diferente, nos levando a refletir sobre amor, família e intimidade a partir de uma abordagem madura e sem floreios, calcada na realidade dos problemas afetivos de pessoas adultas, já bem estabelecidas e centradas em suas vidas.

A oportunidade de ler a prova do livro acabou se tornando uma chance de refletir sobre assuntos íntimos e realistas, já que pude mergulhar na vida e na personalidade de dois personagens muito bem trabalhados pelo autor. Alternando momentos ora engraçados, ora críticos, Leo e Emmi provam que a realidade nem sempre nos agrada e que muitas vezes não pode ser transformada.

Emmi, ora perturbada, ora charmosa, descobre em Leo uma chance de se conectar com um mundo diferente do seu, um mundo mais atraente, indisciplinado e misterioso. Casada com um homem mais velho e pai de duas crianças, ela às vezes brinca de controlar o destino – culpa de sua personalidade completamente egocêntrica. Em muitos momentos é divertido ver Leo abalar suas estruturas psicológicas, provocando e realçando tanto o que ela tem de melhor quanto de pior, como quando concorda em marcar um encontro romântico com uma amiga de Emmi. Essa etapa do livro foi, para mim, o grande ápice da história, onde as personalidades dos dois ficaram totalmente cristalinas nas páginas do livro. Raiva, vingança, confiança, tudo esteve em jogo. E se o resultado foi surpreendente para Emmi, mais curioso ainda foi para o leitor, que pode ver uma verdadeira batalha psicológica se desenvolvendo a cada virada de página.

A relutância entre se encontrar pessoalmente ou não, assim como as discussões sobre viver ou não um caso, mexem com a cabeça de Emmi. Leo quer conhecê-la, ela não. Ela se pergunta incessantemente sobre ter ou não um affair com seu confidente virtual, Leo nega qualquer possibilidade de traição ao marido da amiga. Impasses da vida madura de duas pessoas ao mesmo tão perdidas quando solidamente localizadas no mundo atual.

Se o final do livro acaba funcionando como um balde de água fria para alguns, para mim teve o efeito de uma injeção massiva de realidade nas minhas veias. Sim, ainda há espaço para o encantamento romântico nos dias atuais, mas uma outra dimensão repleta de consequências meio-amargas é descortinada nesse livro. @mor fala sobre amor sim, mas na forma daquele sentimento verdadeiro, sólido, cheio de problemas, de pessoas pelo caminho e de empecilhos que muitas vezes preferimos deixar guardados na estante. Leitura recomendada!

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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