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Resenha de Livro: “Middlesex”, de Jeffrey Eugenides

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Autor: Jeffrey Eugenides
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 576

nota5

“Middlesex” é um livro que já chega com uma espécie de “carimbo” de qualidade. O romance ganhou o Pulitzer de 2003, sendo apenas o segundo livro do autor Jeffrey Eugenides, cujo romance de estreia foi “As Virgens Suicidas”, que ganhou adaptação para o cinema.

Ao olhar o tamanho desse livro, talvez você possa pensar duas vezes se deve lê-lo ou não. Eu digo que você deve se arriscar. As quase seiscentas páginas relatam a história de Calíope, ou Cal, que nasceu menina, mas que na verdade é um menino. Cal não é homossexual, Cal é hermafrodita.

Aos 41 anos, Cal sente que precisa, nesse momento, fazer um passeio pela sua história, chegando até seus antepassados para entender melhor como ele nasceu assim. É assim que começa uma verdadeira aula de história através de seus avôs gregos, a relação de seus pais – que são primos – e sua própria existência.

Logo nos primeiros momentos você é atirado na história e envolvido pela escrita de Jeffrey. Direta, poética, leve e objetiva, é impossível não querer descobrir onde Cal quer chegar no final da sua regressão. E enquanto isso, vamos nos encantando com cada novo capítulo.

Cada parte do livro é um cruzamento de fatos históricos com seu protagonista – ou no caso, podemos falar ‘seus protagonistas’, considerando Cal e Calliope – e isso enriquece em muito a trama. Em contrapartida, aqueles que gostam de mais ação entre as páginas, não apreciem tanto o tempo do autor para contar a história, que em alguns momentos, cai numa reflexão maior e torna o romance mais subjetivo.

Sempre que leio algum livro muito aclamado pela crítica, ganhador de prêmios e tudo mais, fico um pouco receosa com o que vou ler. Me recordo até hoje do drama que foi quando ainda adolescente li “Dom Quixote” e não achei nenhuma maravilha. Culpei-me até compreender que o que funciona para uns – mesmo que esses uns sejam muitos – não necessariamente funciona para todos. Portanto, imaginem como não fiquei agradavelmente surpresa quando devorei Middlesex e adorei a obra.

Eugenides tem uma sensibilidade e clareza para transcrever suas ideias e os pensamentos de seus personagens que certamente é algo característico de grandes autores. Não há nada no livro que seja dispensável, cada palavra escrita é importante para a compreensão do enredo. Ele aborda de forma correta e nada piegas um assunto delicado, trazendo à tona todas as questões importantes que envolvem o tema e sem que se torne tedioso. É simplesmente fabuloso.

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