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Resenha de Livro: “Luxúria” – Eve Berlin

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Autora: Eve Berlin
Editora: Lua de Papel
Páginas: 256

nota3

“Luxúria”, livro escrito por Eve Berlin e publicado no Brasil pelo selo Lua de Papel, é mais um daqueles romances eróticos que vêm enchendo as prateleiras de nossas livrarias após o sucesso da trilogia “50 Tons de Cinza”.

Em busca de informações sobre sadomasoquismo e dominação sexual para o seu próximo trabalho, a escritora de romances eróticos Dylan Ivory entra em contato com Alec Walker, um dominador da cena de Seattle que mexe com as suas convicções. Independente e controladora de suas ações, ela recebe uma proposta tentadora: se tornar a submissa de Alec a fim de obter maior conhecimento sobre as práticas sadistas que pretende descrever em seu romance. Segundo ele, Dylan somente conhecerá o que é este mundo se vivenciar as emoções e sensações que ele proporciona, despertando a curiosidade da escritora.

Com uma bela capa e uma revisão mais ou menos satisfatória – são muitos os erros de pontuação no início do livro -, Luxúria nos brinda com muitas, mas muitas, muitas cenas de sexo quente. A voltagem sexual do livro é altíssima e agrada em cheio quem prefere erotismo à romance, ainda que ele tenha se espaço neste livro. As cenas de BDSM são bem escritas, mostrando que a autora fez bem o seu trabalho ao pesquisar o tema. Não se trata de nada muito chocante, o que é interessante para quem ainda não leu nada do gênero, mas ainda assim acredito que nem todas as pessoas se sentirão confortáveis ao ler sobre correntes e tapas na bunda. Como sempre, trata-se de uma questão de gosto.

O mocinho Alec merece um parágrafo à parte: sedutor, inteligente, másculo e ainda assim gentil, ele é o modelo ideal de qualquer romance erótico. De um lado, ele é um escritor de thrillers psicológicos que ama andar de moto e viajar pelo mundo. Por outro, um homem grande, sarado e dominante na cama (e também no chuveiro, no balcão da cozinha, em cima da mesa, em público, etc). Vocês não entenderão quão delicioso é o bofe até ler este livro, pessoas. Virei tiete de Alec Walker!

É claro que o livro também apresenta alguns problemas: de algum modo, me pareceu muito forçada a atração irresistível entre Dylan e Alec. Muito antes de pularem na cama, os dois já estavam completamente obcecados. Do creu frenético ao amor, acredito que Eve Berlin pecou pelo óbvio. A profunda conexão entre os dois durante o sexo mexe com traços profundos da personalidade individual deles, mas instantaneamente todo este “incômodo” se transforma em uma comédia romântica do TNT, com direito a muitas lágrimas, declarações apaixonadas e beijo na chuva. Entediante.

Pensando um pouco sobre o sucesso e a polêmica de “50 Tons de Cinza” & amigos, achei muito curiosa a insistência destes “novos romances” calcados no BDSM em colocar o praticante dessas modalidades sexuais como uma pessoa traumatizada, principalmente durante a sua infância. Em Luxúria não é diferente: tanto Dylan quanto Alec trazem feridas que não parecem muito óbvias no início do livro, mas que logo são reveladas e passam a funcionar como justificativas para a atração que os jogos de poder e dominação exercem nos dois. Ao invés de buscar naturalizar o tema ou discutir a satisfação que ele proporciona, eu venho pensando que, no fundo, todos estes livros acabam nos apresentando uma versão suja ou “deturpada” do fetiche – algo como se ele fosse digno apenas de pessoas que, com todo o respeito, deveriam procurar ajuda especializada e deitar em um divã antes de se envolver em um relacionamento. O que vocês acham?

Jaqueline Sant'ana
Tem 30 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestra em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa uma madrugada regada a karaokê e litrões bem gelados.

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