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Resenha de Livro: “Inferno” – Max Hastings

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Autor: Max Hastings
Editora: Intrínseca
Páginas: 768

Max Hastings é um famoso historiador militar e jornalista. Com mais de vinte obras publicadas, seu arsenal sobre a Segunda Guerra Mundial é imenso. Pode não ser uma unanimidade entre os especialistas da área, mas certamente ninguém pode acusá-lo por falta de pesquisa ou de incoerência. Oito títulos foram lançados pelo autor sobre o assunto, nove se contarmos com esse. Em cada um deles ele buscou explorar um ponto de vista diferente, um braço não analisado anteriormente

Em “Inferno” o autor busca, essencialmente, tratar das experiências humanas. De um ponto de vista aparentemente unanime – de que a guerra foi um verdadeiro inferno –, ele vai atrás das diferenças que esse ponto de vista podem ter para diferentes pessoas, de acordo com o lado geográfico que estava e o posicionamento político que defendia.

A Segunda Guerra Mundial foi de fato a primeira – e até então a única – guerra global que tivemos. De amplitude geral, permitiu que pouquíssimos passassem ilesos por ela. Mais do que uma disputa por territórios, como na Primeira Guerra, essa foi uma disputa por por poder e dominação hemisférica. Diferente do que se pode pensar, não foi uma luta contra o volativismo do capital do judeus sem pátria, mesmo que tenham sido eles os mais penalizados dessa história. O genocídio judeu que matou milhões de inocentes e as bombas no Japão, que perpetuou marcas que existem até hoje foram apenas consequências de uma guerra cruel e irracional.

A reflexão posta em jogo por Hastings é que todos sofreram, em maior ou menor grau, mas todos foram atingidos pela guerra. Nesse sentido, certamente concordo com o autor. Por exemplo: um assassino da SS não necessariamente gostava do que fazia, mas nem por isso ele poderia se recusar a fazer. Da mesma forma, um soldado britânico amputado durante o Dia D, nunca teve a oportunidade de escolher entre ir para a guerra ou ficar em casa com sua jovem esposa e o filho recém-nascido. E assim, um judeu que foi capturado e exterminado com sua família num campo de concentração, nunca fez nada para merecê-lo. Todos sofreram, é um fato. Mas eu discordo do autor quando ele diz que não podemos dizer quem sofreu mais. Obviamente, se formos analisar em termos de quantidade de sofrimento, é impossível. Mas de avaliarmos pelo ponto da busca pelo sofrimento, quem mais foi penalizado e quem menos merecia, a resposta se torna extremamente clara para mim.

Expondo vários pequenos casos particulares, Hastings busca mostrar como a guerra refletiu na vida das pessoas, alterando seus cotidianos e marcando suas vidas. Sem defender um lado ou outro, sem querer ser advogado de ninguém, ele tenta mostrar apenas os sentimentos de quem esteve envolvido  nessa catástrofe mundial, tirando as máscaras e as ideias pré-concebidas das famosas propagandas de cunho político que vendiam o bem estar da população e o apoio total.

Esta é uma obra para ser lida com atenção, e cujas imagens e mapas auxiliam na tentativa de se ter a mais próxima noção do que foi relatado. É um trabalho longo, forte e de incrível qualidade, e que deveria ser lido por todos, deveria abranger desde o meio acadêmico até os leigos.

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