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Resenha de Livro: “Escândalo de Cetim” – Loretta Chase

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Autora: Loretta Chase
Editora: Arqueiro
Páginas: 272

Esse segundo volume da série “As Modistas” tem início com a Maison Noirot passando por muitas dificuldades. Após o casamento de Marceline com o Duque de Cleventon, que estava “predestinado” para sua filha Clara, Lady Warford decidiu difamar o trabalho e acabar com a clientela do ateliê das charmosas e destemidas irmãs Noirot. Determinada a dar a volta por cima e se livrar da concorrência, Sophia, a engenhosa irmã do meio, vai usar e abusar de todos os recursos possíveis para resgatar o bom nome do seu negócio de família.

Escândalo de Cetim” não é um romance de época açucarado, ainda que traga todos os elementos mais “manjados” desse tipo de livro: um mocinho nobre e fútil, dedicado a aproveitar a vida em meio a brigas, bebidas e mulheres, e uma mocinha inteligente e batalhadora cheia de planos para salvar sua família e sua reputação da vilania alheia. Há também uma subtrama que envolve a ingênua Lady Clara, a melhor cliente da Maison, e um casamento forçado com um vigarista cheio de más intenções, além de muitas outras histórias que se cruzam num grande emaranhado de aventuras que demoram a engrenar, mas logo nos deixam bastante entretidas.

Além de ser uma habilidosa chapeleira, Sophia também escreve para o jornal Morning Spectacle, onde registra os escândalos e mexericos da nobreza e descreve os trajes das damas com uma impressionante riqueza de detalhes. Para circular incólume por tantas festas e bailes, ela adota uma série de disfarces improváveis que alimentam momentos divertidos na trama. Em minha opinião, estes eram os melhores momentos do livro, ainda que bem dispensáveis.

Essa foi minha primeira experiência lendo Loretta Chase e confesso que demorei a me acostumar com o estilo da autora, repleto de diálogos, linhas de raciocínio fragmentadas e muitas cenas de ação que se arrastam por páginas e páginas. Se por um lado isso aumenta o dinamismo da história, também torna a leitura um tanto superficial e cansativa. Por vezes tinha a impressão de estar acompanhando uma partida de tênis, e não o desenvolvimento de um relacionamento de romance de época. Ainda que eu adore protagonistas femininas que fujam do padrãozinho “bela, recatada e do lar”, não consegui simpatizar com Sophia e seus estratagemas. Já o boêmio Conde Longmore, melhor amigo de Clevedon e irmão mais velho de Clara, não é um personagem cativante e parece estar o tempo todo ao lado de Sophia apenas para passar o tempo enquanto não acha nada melhor para fazer. Acredito que faltou certo tato na hora de construir o relacionamento do casal, mas ainda assim confio que as fãs mais ardorosas de romances de época vão gostar dessa continuação.

 

Jaqueline Sant'ana
Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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