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Resenha de Livro: “Butterfly” – Kathryn Harvey

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Autora: Kathryn Harvey
Editora: Universo dos Livros
Páginas: 520

nota5

Em Butterfly, livro de Kathryn Harvey, acompanhamos a história de Rachel, uma mulher que, desde criança, testemunhou e sofreu abusos por parte de seu pai. Feia, pobre e apaixonada por livros, ela foge de uma vida miserável por incentivo de sua mãe após descobrir um grande segredo sobre seu passado. Perdida e sem dinheiro no Texas, ela é resgatada por Danny McKay, um jovem bonito, carismático e ambicioso que logo se torna o centro de seus sonhos: uma linda casa, filhos adoráveis e uma situação econômica tranquila. Porém, Rachel logo vê seus planos desvanecendo no ar: condenada a se prostituir ao lado de outras tantas meninas desesperançadas, como a meiga Carmelita, ela promete vingança a todos aqueles que um dia abusaram de sua ingenuidade.

Primeiro livro de uma trilogia, Butterfly é quase um thriller, um romance psicológico calcado na vingança com uma trama muitíssimo bem amarrada. Narrado em terceira pessoa, ele segue duas linhas temporais: uma, que acompanha a história de vida de Rachel desde a década de 40, e outra, contemporânea, que narra o dia-a-dia repleto de lutas e decepções de três clientes do clube privado Butterfly, um bordel que opera sigilosamente no andar superior da loja de roupas masculinas Fanelli, localizada no coração de Beverly Hills.

Quando fiquei sabendo que o livro foi originalmente publicado nos EUA no final dos anos 80, me surpreendi. Um dos principais personagens do livro fala diretamente com o cenário político brasileiro atual: um pastor que utiliza a televisão como principal meio de propagação do seu discurso e de sua imagem e ambiciona entrar para a política para consolidar seu poder pessoal.

É necessária uma certa dose de paciência para acompanhar a história até o momento onde descobrimos como todas as tramas estão entrelaçadas, o que começa a acontecer lá pela página 109. Uma vez que você atinge este ponto, torna-se impossível largar o livro até terminar toda a leitura. Mistério e drama se misturam em uma incrível história de vingança, sexo, abuso, mentiras e politicagem.

Com exceção da brilhante advogada Jessica, eu demorei a sentir alguma empatia pelas outras clientes do clube Butterfly. Todas são personagens extremamente humanas, com defeitos e falhas que as tornam muito reais para o leitor. Porém, as reservas pessoais da médica Linda e da construtora Trudie minaram um bocado do meu interesse por suas tramas particulares. De modo geral, os conflitos e dramas vividos pelas clientes do Butterfly surpreendem e cativam o leitor. Elas são mulheres comuns, trabalhadoras e dedicadas, que encontram naquele clube a chance de realizar suas fantasias sexuais e buscar uma saída para os seus problemas pessoais. A sutil abordagem de alguns dos tópicos mais duradouros quando falamos de questões femininas e liberação sexual, como autonomia, (in)satisfação e (in)subordinação, funcionou como um tempero a mais para mim. Ponto para a autora!

Acho importante ressaltar que a forma como a editora Universo dos Livros está apresentando o livro, relacionando-o à moda erótica lançada por 50 Tons de Cinza, é completamente falha: a sinopse em nada ajuda na compreensão da história do livro. O marketing, que vem relacionando Butterfly com livros eróticos, também me parece extremamente errado. Apesar de conter passagens sensuais, este livro passa longe de qualquer similaridade com a obra de E. L. James. A revisão do texto é boa, com algumas poucas falhas de pontuação e apenas um erro de digitação (“jurau” no lugar de “jurou”), o que não chegou comprometer minha compreensão do texto. A capa do livro, belíssima, merece elogios.

Butterfly é um livro excelente, com uma história bem construída, muito bem amarrada, personagens densos e coerentes e um final que satisfaz o leitor. Kathryn Harvey, pseudônimo da escritora Barbara Wood, me impressionou com este primeiro livro!

Para ler as resenhas dos outros volumes desta série, clique na tag Butterfly 😉

Jaqueline Sant'ana

Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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