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Resenha de Livro: “As Regras da Sedução” – Madeline Hunter

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Autora: Madeline Hunter
Editora: Arqueiro
Páginas: 272


nota3

“As Regras da Sedução”, livro de Madeline Hunter, foi um dos três romances de época que a editora Arqueiro lançou no mês de abril. Antes de qualquer coisa, digo logo que este primeiro livro da série “Irmãos Rothwell” foi o que eu menos gostei. A protagonista da história é Alexia Welbourne,uma jovem bonita que perdeu sua família e vive de favor na casa de seus primos maternos. Quando Hayden Rothwell surge para uma visita querendo tratar de assuntos bancários com seu primo Timothy Longworth, ela sente que sua vida irá mudar – e para muito pior. Após a visita de Rothwell, Alexia descobre que sua família está completamente falida e que todos deverão retornar para a casa da família no campo. Seu primo Timoty alega que não pode mais sustentá-la, e Alexia logo se vê dependendo a ajuda do homem que odeia. Quando ela começa a trabalhar como preceptora e dama de companhia na casa de uma tia de Hayden, ela sente seu ódio se transformar em algo mais: desejo.

“As Regras da Sedução” é um dos títulos mais perspicazes que eu vi em muito tempo: o romance entre os protagonistas da história é, de fato, extremamente pautado por regras – ou melhor, a violação delas, o que torna a narrativa extremamente insípida e muito mecânica. O envolvimento entre Alexia e Hayden logo se torna uma forma de compensação financeira por uma mulher “pobre” com parentes de nome e respeitabilidade imaculada. Vivendo de favor na casa de um tio, Alexia acabou se apaixonando pelo primo Benjamin, um bon vivant impetuoso e bem-humorado que desapareceu no mar após uma guerra. Conforme novas descobertas são feitas no desenrolar da história, percebemos que Benjamin não tem nada a ver com a ideia romantizada que Alexia alimenta, e eu devo confessar que foi muito frustrante acompanhar a resistência que ela demonstrou ao longo de todo o livro quando o assunto era encarar os fatos e enxergar a verdade ao seu redor.

A narrativa é elegante, ainda que soe muito pesada em certos momentos. Terminei minha leitura em apenas um dia, mas fiquei com uma sensação incômoda de claustrofobia durante vários capítulos. Todos os personagens, de modo geral, são frios e de personalidade duvidosa, manipulando informações, cometendo falcatruas e guardando segredos de acordo com seus interesses. A interação entre o casal principal é fria e rasa, ressaltando que entre eles não existe uma verdadeira afinidade emocional ou intelectual, apenas uma alta carga erótica. A impressão que tive foi que a autora Madeline Hunter buscou manter-se fiel ao espírito da época, onde um casamento era apenas um acordo financeiro, um contrato pautado nos benefícios que cada parte adquire com a união.

A descrição de uma personagem “pobre” e desamparada, argumento repetido à exaustão pela autora através da fala de vários personagens, não me comoveu. A prima de Alexia que passa boa parte do livro falando que se tornará uma prostituta, mas que nunca conheceu a vida de real miséria e desespero de uma mulher nessa situação, é um exemplo claro do quão patéticas eram aquelas meninas criadas em meio a riqueza e opulência. Para mim, a autora tentou usar essa situação como justificativa para a repentina união de Alexia com Hayden, o homem que “arruinou” sua família, mas apenas acabou ressaltando a personalidade interesseira da protagonista, assim como a condição mimada de seus parentes.

Ainda que eu não tenha gostado da história do livro, reconheço que ele é um texto sensato e plausível, indicado para pessoas que não gostam de muito exagero e fantasia dentro de romances históricos.

P.S: A capa do livro não tem nada a ver com a protagonista da obra, que é morena, com olhos violeta e longos cabelos castanhos, mas ainda assim possui uns efeitos de relevo bonitinhos. O tratamento do texto é impecável.

Jaqueline Sant'ana
Tem 30 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestra em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa uma madrugada regada a karaokê e litrões bem gelados.

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