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Resenha de Livro: “A Última Carta de Amor” – Jojo Moyes

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Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 384

nota5

A Última Carta de Amor, livro publicado pela editora Intrínseca no mês de junho de 2013, foi uma leitura das mais apaixonantes que fiz neste ano. Apresentando a história de duas mulheres com histórias de vida muito diferentes, separadas pelo tempo e pelos padrões sociais de cada época, este livro me fascinou primeiramente pela sua capa, feita com uma arte super graciosa. Até o lançamento do livro, eu não havia sequer ouvido o nome da autora Jojo Moyes, desconhecendo seu talento e habilidade para contar histórias e nos guiar em uma verdadeira montanha-russa de emoções – repulsa, encanto, simpatia, desprezo, etc.

Digo isso porque o tema principal do livro não é nem nunca foi muito do meu agrado: adultério. Não temos nessa obra aquela história de amor tradicional, onde uma mulher encontra um homem e os dois seguem felizes rumo ao altar, mas sim uma trajetória cheia de altos e baixos onde uma mulher submissa e infeliz encontra liberdade, carinho e amor nos braços de um excêntrico jornalista e uma mulher que nunca pensou em ter “marido e filhos” deixa sua vida pessoal e profissional de lado por causa de um homem casado com quem se envolve.

O livro começa com Ellie Haworth, a nossa protagonista “moderna”. Jornalista, ela está em busca de uma matéria que revitalize sua carreira, que se encontra estagnada desde que começou um romance com um frívolo escritor já casado. Enviada ao sótão do jornal por seu chefe, ela acaba descobrindo uma antiga carta de amor e passa a investigar quem seriam estes amantes do passado sem ao menos saber que isso acabará por transformar sua vida. A partir daí, ela começa a questionar o amor que John diz sentir por ela – se ele seria tão verdadeiro e completo quanto o amor expresso nas frases daquela antiga carta guardada nos arquivos do jornal onde trabalha.

A história então dá um salto no tempo e vai para a Londres dos anos 1960, onde somos apresentados a Jennifer Sterling, uma rica mulher de 26 anos que se recupera de um acidente de automóvel que lhe fez perder a memória. Seu marido, Laurence, sua mãe e seus amigos tentam fazê-la seguir em frente, mas a sensação de “não pertencer” àquele mundo de frivolidades e aparências perfeitas diante da sociedade acaba se tornando uma constante no seu dia a dia. Tudo ganha sentido quando ela encontra uma carta apaixonada endereçada a ela. Assinada por um misterioso B., a carta escondida dentro de um livro logo ganha a companhia de mais cartas escondida pela casa de Jenny, e através destas missivas ela tenta recriar o romance que viveu, sempre buscando o homem que seria B.

O que nos faz criar torcida por um desfecho feliz entre o casal é a forma como a autora cria e trabalha com seu leque de personagens, levando-os muito além do esperado. Ninguém é exatamente o que se espera e isso é maravilhoso, pois garante dinâmica e frescor à história. Atitudes inesperadas, como as da governanta Cordoza e da secretária Moira, agitam a trama e surpreendem o leitor. Para além disso, toda a construção de cenários tem um clima extremamente elegante e refinado, o que me deixou pessoalmente fascinada pela trama que se desenrola nos anos 60.

Quando digo que me apaixonei pelo livro não estou exagerando. Após relutar muito em começar a ler A Última Carta de Amor, não consegui parar até terminar todo o livro. Por maior que fosse minha antipatia por Jennifer e sua atitude de “madame fútil” enquanto acompanhava os flashbacks presentes no início da história, acabei apreciando mais a sua trajetória do que a de Ellie, e isso se deve principalmente a B., o fascinante homem que nos faz suspirar com suas lindas cartas e com o respeito e a admiração que mostra ter por Jennifer. O romance entre os dois é fascinante, principalmente quando descobrimos todas as dificuldades e percalços da vida que os dois enfrentaram para tentar ficar juntos no passado. A multiplicidade de narradores pode confundir um pouco o leitor no início do livro, mas não é nada preocupante. Se você quer um livro surpreendente, com um final inesperado e um romance sublime, você não pode deixar de ler A Última Carta de Amor.

Jaqueline Sant'ana
Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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