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Resenha de Livro: – “A Seleção”, de Kiera Cass

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Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 368

nota4

Prepare-se para muita disputa, muitos encontros, muitos vestidos bonitos e sessões de maquiagem: a Seleção já começou! Muito antes de ter a oportunidade de ler “A Seleção”, livro publicado no Brasil pelo selo Seguinte, já acompanhava o enorme sucesso deste primeiro volume da série “The Selection” entre o público infantojuvenil. Depois do fenômeno “Jogos Vorazes”, dezenas de romances distópicos tomaram conta das livrarias de todo o mundo, mas esta obra se diferencia dos demais justamente pelo insólito foco de sua narrativa: não, não se trata da liberdade de uma sociedade oprimida, mas uma coroa.

O livro é narrado e protagonizado por America Singer, uma jovem cantora e musicista da casta Cinco do reino de Illéa. Apesar de estar profundamente apaixonada por Aspen, seu vizinho da casta Seis na província de Carolina, ela cede às necessidades de sua família e do seu amado e se candidata à Seleção, uma espécie de “The Bachelor” que escolhe a nova princesa – e futura rainha – do país.

“Nossa casta era a terceira antes do fundo do poço. Éramos artistas. E os artistas e músicos clássicos estavam só três degraus acima da sujeita. Literalmente”. (pgs. 9-10)

Com o aniversário de 19 anos do príncipe Maxon, 35 jovens de todas castas são sorteadas para fazer parte da Seleção, e America é uma delas. Misto de reality show e entrevista de emprego, a Seleção é uma chance única na vida de uma jovem, já que ela e toda a sua família ascendem para exclusivíssima casta Um, formada apenas pela realeza de Illéa. Durante todo o processo, as jovens passam uma temporada no palácio real, vivendo em meio ao luxo e a riqueza e tendo encontros com o príncipe. Nesse meio tempo, suas famílias recebem apoio financeiro e elas se tornam celebridades, angariando a simpatia (ou a repulsa) dos súditos do reino, que acompanham tudo através da cobertura televisiva do dia-a-dia no palácio, comandada pelo carismático apresentador Gavril. Para atingir a meta de integrar a realeza, algumas meninas, como a ardilosa Celeste, são capazes de tudo!

Mesmo com o coração em pedaços e nem um pouco interessada na coroa, America se destaca por sua simpatia e generosidade e logo conquista o carinho do público e da bondosa Marlee, uma de suas “rivais” na Seleção. De bandeja, também acaba chamando a atenção do príncipe Maxon, que logo mostra não ser tão prepotente e superficial quanto demonstrava ser nas transmissões do Jornal Oficial de Illéa ( ~ te amo, Maxon!).

Maxon, apesar de ser o príncipe de Illéa, parece completamente ignorante da realidade de seu reino. Protegido atrás dos muros da residência real, ele ignora que existem pessoas que realmente passam fome no continente – para ele, os comentários de America sobre a farta e deliciosa comida do palácio eram apenas piadas. Mesmo tendo um bom coração, ele parece mais preocupado com a política do reino do que com seus súditos, e não exagero quando digo que America abre os olhos de Maxon para a realidade e o ajuda a expandir seus horizontes, soprando um pouco de vida neste rapaz tão recluso e carente de afeto.

O que mais gostei no livro, para além do triângulo amoroso entre Maxon, America e Aspen, foi o contexto histórico criado pela autora. Na ficção de Kiera Cass, os Estados Unidos passaram pela quarta guerra mundial e foram ocupados pela China. A libertação do continente, assim como o aparente fim do caos geopolítico gerado pela criação dos Estados Unidos da China, foi atingida após um confronto com a Rússia, comandado pelos esforços de Gregory Illéa, um cidadão comum que cedeu seu conhecimento e fortuna ao bem comum e depois se tornou rei através do casamento com uma jovem da família real. O passado de Illéa, o país, é pouco explorado pela autora, o que é uma pena. Achei interessante a construção que a autora faz de uma sociedade injusta e profundamente desigual, dividida em oito castas (Um para a realeza, Oito para mendigos e andarilhos), com um passado que não é divulgado em livros de História, já que eles foram abolidos.

A situação dos grupos rebeldes que invadem a moradia real por duas vezes apenas neste primeiro livro também é um ponto mal explorado no livro: para além de sua origem (um grupo de nortistas e outro formado por sulistas), quase nada foi dito ou explicado sobre eles. Sim, os rebeldes assustam os membros da realeza e a criadagem do palácio com sua violência, mas em momento alguma a autora nos oferece pistas sobre as reais motivações destes grupos neste primeiro volume da série, o que enfraquece bastante o lado distópico do livro. Além desse ponto problemático, o livro tem alguns momentos bastante irregulares: as passagens de uma cena para outra são abruptas e deixam o leitor “boiando” na história por alguns parágrafos antes de se situar, algo bastante irritante, mas que faz parte do estilo narrativo da escritora, pelo o que pude perceber.

A forma mais simples de avaliar o livro seria “um page-turner gostoso de SE ler”. Trata-se de um livro de narrativa jovem, ligeira, e de enredo simples, porém muito envolvente e realmente cativante! “A Seleção” entretém o leitor e mexe com nossas fidelidades, deixando-nos sempre ansiosos pela próxima página, pela próxima reviravolta, pela próxima eliminação. Mal posso esperar para devorar a continuação da série!

 

Para ler a nossa resenha de “A Elite”, clique AQUI.

Jaqueline Sant'ana
Tem 29 anos, é carioca, botafoguense, revisora e Mestre em Sociologia. Ama cinema, literatura e música e curte passar os finais de semana fazendo binge-watching de séries, mas não dispensa um karaokê com litrão de cerveja.

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