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Crítica de Filme: “Um Limite Entre Nós”

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Título Original:“Fences
2016 – 138 min. – EUA
Drama
Duração: 115 minutos
Direção: Denzel Washington
Roteiro: August Wilson
Elenco: Denzel Washington , Viola Davis , Stephen Henderson , Jovan Adepo , Russell Hornsby , Saniyya Sidney , Mykelti Williamson


Originalmente criado como peça de enorme sucesso na Brodway, e tendo o próprio Denzel Washington no papel de Troy Maxson em 2010, Fences traz consigo, inquestionavelmente, expectativa e curiosidade. Foi vencedora do Tony e do Pulitzer de melhor peça, e Denzel venceu o Tony como melhor ator. Agora no cinema, a adaptação do roteiro ficou a cargo de August Wilson, autor da peça.

Na sinopse oficial, “Um Limite Entre Nós” (Fences) conta a história de um homem que tinha grande potencial e o sonho de ser jogador de baseball, porém, ele se torna um catador de lixo. Entretanto, se fossemos honestos, poderíamos dizer que o filme conta a história de um homem egoísta e incapaz de perceber as limitações das circunstancias da vida e que está disposto a arrastar todos no seu próprio drama.

Logo nos primeiros dez minutos de filme já podemos entender como será a narrativa: Troy faz longos e intermináveis monólogos reclamando da vida, de como ele foi prejudicado por ser negro e contanto histórias que você não sabe se são verídicas. É chato. Se cada monólogo dele tivesse um pouco menos de tempo, talvez Troy se tornasse um personagem mais carismático e causasse alguma empatia no público.

Vamos ter em mente que o filme se passa na década de 50, e os conflitos entre brancos e negros nos Estados Unidos estavam a pleno vapor. Vale lembrar que foi na década de 50 que Rosa Parks foi presa por se recusar a ceder seu lugar no ônibus para um branco, no estado do Alabama, e que negros ainda não tinham direito a voto. Portanto, o pano de fundo do filme é absolutamente relevante, mas também é por isso que precisamos ficar atentos ao desenrolar dos fatos.

A grande reclamação de Troy para a vida é que ele foi prejudicado e perdeu a grande oportunidade de ser um jogador de baseball. Seu argumento para isso é a cor da sua pele, e é por esse mesmo motivo que ele inferniza a vida do filho Cory, que ganhou uma bolsa de estudos na universidade para jogar futebol americano. Troy é irredutível em relação ao fato de que Cory vai perder tempo jogando futebol, porque nunca deixarão ele ser titular, e que por isso ele deve procurar um emprego. Em momento algum Troy aceita o fato de que ele não teve uma chance real porque ele foi preso e só depois de sair da prisão, já com quarenta anos, ele poderia ter essa chance de jogar. O que pesou contra não foi a cor, e sim a idade.

Sua mulher, Rosa, é quem mantém as coisas funcionando em casa. Ela quem aguenta a maior parte do péssimo humor de Troy, quem intermedia os conflitos entre ele e os filhos, quem dá a devida atenção a Gabe, seu cunhado que voltou da guerra com problemas neurológicos. No clímax do filme, onde se desenrola o melhor diálogo, Rosa deixa claro para Troy que se ele acha que a vida dele é ruim, a dela é ainda pior, mas que sua falta de percepção não consegue ir além dele mesmo.

Viola Davis, como Rosa, está incrível. Apesar de ter recebido poucas falas, ela é genial quando a câmera está fechada nela. Não é seu melhor papel, mas com certeza é de total qualidade. Talvez Denzel tenha cumprido tão bem seu papel e tenha conseguido causar tanta antipatia ao personagem que justamente por isso, acertou no seu trabalho como ator. Como diretor, não foi nada relevante. Na verdade, se ele tivesse sido mais ousado e cortado uns quinze minutos do filme, teria sido mais impressionante. Porém, quem realmente chamou a atenção numa atuação difícil mas não exagerada ou caricata foi Mykelti Williamson, que interpretou Gabe. Foi brilhante.

Estendendo-se por mais de duas horas, é gritante que o filme manteve suas referências teatrais, ao invés de deixa-lo mais cinematográfico e assim, mais fluido para o espectador. Embora q qualidade do texto de Wilson seja indiscutível, a adaptação e a direção foram peças fundamentais para o filme ficar abaixo das minhas expectativas.

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