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Crítica de Filme: “Nerve – Um Jogo Sem Regras”

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Título: Nerve – Um Jogo Sem Regras
Título Original: Nerve
Data de lançamento: 25 de agosto de 2016
Duração: 1h 37min
Direção: Ariel Schulman, Henry Joost
Elenco: Emma Roberts, Dave Franco, Emily Meade
Gêneros: Suspense
Nacionalidade: EUA
Classificação etária: 12 anos
Distribuidor: Paris Filmes
Roteiro: Jessica Sharzer

Nerve – Um jogo sem regras é um filme lançado em agosto deste ano, baseado no livro homônimo da autora Jeanne Ryan, e que traz uma temática cada vez mais atual. Entenda o porquê. O filme se passa na cidade de Nova York, onde a adolescente Vee (Emma Roberts) está prestes a entrar na faculdade, mas não a que ela deseja, pois sua mãe não quer que ela vá morar longe. Já com esse início podemos perceber a personalidade de Vee, tentando agradar sua mãe e não impondo suas vontades. Do mesmo jeito ela faz com os amigos, e é justamente quando essa sua característica é apontada por sua amiga Sidney (Emily Meade), que ela decide entrar para um jogo clandestino que virou febre entre os jovens americanos.

O jogo é dividido entre observadores e jogadores. O primeiro grupo propõe desafios aos jogadores e os pagam – de acordo com o grau de dificuldade exigido – para cumprir o que foi proposto A execução dos desafios, que vão desde beijar um estranho a pilotar uma moto a 90km/h com os olhos vendados, são transmitidas ao vivo para que os observadores acompanhem. Quanto mais o jogador conquistar a atenção dos observadores, mais pontos ganha e se eleva no ranking geral, e mais dinheiro começa a entrar em sua conta. Aí se destaca a semelhança com o que vivemos atualmente. Essa constante obsessão que algumas pessoas têm pela fama virtual, a troco de fazer qualquer coisa por likes, visualizações e seguidores. Não é à toa que os maiores ídolos dos adolescentes nos últimos três anos saíram da internet, como os youtubers, por exemplo.

Os efeitos visuais são um grande destaque no longa. Em alguns momentos, os espectadores são colocados como se estivessem dentro da tela do computador, podendo ter uma visão do personagem ao mexer no computador, assim como o que ele está acessando. Como os desafios são transmitidos online, também somos colocados na posição de observadores do jogo, ao saltarem na tela as imagens dos desafios sendo transmitidos através de um celular. Essa mescla de perspectivas, de espectador do filme para observador do jogo, foi uma grande sacada.

O filme é bem construído e envolvente. Quando menos esperamos, estamos no mesmo patamar dos observadores do jogo, torcendo para que os personagens consigam completar o desafio e, consequentemente, mantenham sua vida preservada. Pois como um dos exemplos citados anteriormente, muitas vezes os desafios colocam em risco a vida do jogador. O filme mesmo mostra um caso que não terminou muito bem.

O jogo retratado no filme é algo possível de acontecer na vida real. Alguns desafios já estão presentes no meio dos jovens, como alguns casos que volta e meia vemos nos telejornais, de jovens engolindo uma colher cheia de canela, ou o desafio do desmaio, que consiste em asfixia por estrangulamento ou por pressão no peito, com o objetivo da pessoa perder a consciência. Um desafio que pode causar parada cardíaca, fato que aconteceu com um jovem de 13 anos, mês passado, em São Paulo.

Por trazer uma temática tão atual, Nerve poderia ter se aprofundado mais no tema, do que só usá-lo para construir um roteiro. O efeito que ele teve em mim, como espectadora, foi de reflexão, de ver como um jogo assim seria possível de conseguir participantes, devido ao contexto do uso da tecnologia atrelada ao mundo virtual no qual vivemos. Mas será que todas as pessoas ao assistir o filme tiveram essa percepção? Talvez essa tenha sido a falha. Não explorar muito essa questão. De resto, o longa consegue entregar o que promete: um filme cheio de ação e que prende a atenção do início ao fim.

Érika Mello

Radialista, estudante de Jornalismo, apaixonada por cinema, livros e fotografia. Viciada em séries, daquelas que quando pega uma temporada completa, não sossega até assistir o último episódio.

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